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domingo, 30 de novembro de 2008

COMO VOCÊ ANDA ESCREVENDO NO ORKUT?



Não sei como iniciar este texto sem ferir susceptibilidades ou arrefecer os ânimos de quem está começando a escrever agora, ou ainda, de quem pretende começar a fazê-lo. Asseguro que não é esse o meu intento. Pelo contrário, o propósito é incentivar a todos que pretendam enveredar por essa área e oferecer alguns subsídios para que possam proceder com êxito.

Como professora de português, função que exerci por vinte e cinco anos, sempre batalhei diariamente para que meus alunos aprimorassem o gosto pela leitura, atitude essencial a quem quer escrever sobre qualquer assunto e também se expressassem corretamente: com clareza, objetividade e sem aqueles erros crassos que nos fazem tremer nas bases e recusar-se a continuar lendo, ou melhor, presenciando o assassinato da língua mãe.
Essa introdução tem por escopo posicionar-me dentro do tópico que pretendo abordar hoje: os textos literários postados no ORKUT. Trata-se de um espaço democrático, valioso, que oportuniza a tanta gente a divulgação de seus trabalhos e, conseqüentemente, os torna conhecidos nacional e até internacionalmente. Mas, por isso mesmo, pelo alcance que o veículo possibilita e pelo número de leitores que atinge, necessário se faz um cuidado maior com elaboração desse material, quer sejam poemas, contos, crônicas ou quaisquer outros artigos literários.

Não é raro encontrar nas comunidades e até em concursos textos eivados de erros, notadamente sem revisão e nenhuma preocupação com a qualidade do que está sendo divulgado. A despreocupação, às vezes, é tanta que palavras são digitadas faltando letras, acentos a até grafadas incorretamente. Isso sem falar na inobservância à concordância e à regência. Muitos me dirão: mas o nosso idioma é muito difícil. Eu respondo: sim, mas é a língua que falamos desde que nascemos, praticamos diuturnamente e uma coisa é o uso coloquial que fazemos dela nas situações do dia-a-dia, outra muito diferente é a proposta literária, posta a público em condição de amplo alcance, como é o caso em análise. Não estou aqui falando de preciosismos, nem de linguagem erudita que remonte aos clássicos ou aproxime-se dos mitos literários dos quais nos orgulhamos tanto. Mas é preciso, pelo menos, uma proposta aceitável: com revisão, dentro do estilo que cada se propôs a desenvolver. Só para exemplificar: se alguém pretende enveredar-se pelo campo da poesia, é necessário um mínimo conhecimento do assunto: o que é uma estrofe, um verso livre, uma sílaba poética, uma licença poética (essa, inclusive, tem gerado grande confusão), que não é autorização para cometer erros, mas uma permissão para, em alguns casos, extrapolar o uso da norma culta da língua, utilizando-se de recursos como palavras ditas de baixo-calão (se o texto assim o exigir), linguagem caipira, figuras de linguagem como a hipérbole (exagero), supressão de algumas letras para resultar em perfeita contagem de sílabas (minh’alma ao ao invés de minha alma), etc.

Considerando que a matéria prima do poeta é a palavra, é lógico que existe a possibilidade de manipular esses vocábulos, alterar-lhes os significados, procurar-lhes outras feições e sentidos porque nisso consiste a arte, mas que fique bem claro: escrever não é obrigatório, é facultativo, mas revisar o texto antes de postar é absolutamente necessário e o primeiro crítico literário é o próprio autor. Ao terminar de escrever, qualquer um tem noção se produziu algo excelente, bom, aceitável ou ruim e aí...mãos à obra, os revisores existem para aprimorarem o que já está bom e dar “uma forcinha” , nas situações adversas.
Boa sorte a todos.

Basilina Pereira
Reresentante da Poemas em Brasília

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

ANA MELLO

Poeta, contista, escritora, colunista é a vencedora no 1º Prêmio Gaúcho de Arte Eletrônica na categoria Literatura, com seus Finais Felizes, e selecionada entre os melhores de poesia no concurso realizado pela Band News, na 54ª Feira do Livro, com o Poetrix Morfologia e sintaxe.

Segundo ela, tem muito a dizer e por falar pelos cotovelos está espalhada no mundo virtual, nos ônibus e trens de Porto Alegre, viajando em forma de poesia (selecionada em 2006).

É de São Leopoldo, formada em Ciências e Matemática pela Unisinos. Atua profissionalmente como téc. Química. Suas publicações começaram em 2002, ao ser classificadas no concurso da Carris, Relatos da História e outras Memórias, que se transformou em livro.

Participa de várias antologias, diversos sites e é colunista do site SORTIMENTOS.COM desde 2003.

É coordenadora do Movimento Poetrix no Rio Grande do Sul, apaixonada por minicontos realiza oficinas e projetos com várias entidades públicas e culturais do Estado.


Aqui vc pode acessar o E-book Finais Felizes,
Vencedor em Literatura do 1º Prêmio Gaúcho de Arte Eletrônica

http://www.minguante.com/?ebook=finais_felizes


3º Lugar no Concurso Band Bews
promovido durante a 54ª Feira do Livro

Morfologia e Sintaxe
Ana Mello

amor gramatical
ele interrogação
ela ponto final


Conheça a coluna de Ana Melo
http://www.sortimentos.com/gente/ana_mello.htm

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

MARCELO SPALDING


O jovem de 26 anos, editor do Artistas Gaúchos, escritor e jornalista, lançou "A Cor do Outro" na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre. É o quarto livro do autor, onde aborda o preconceito de forma franca e sem rodeios: "o tema do racismo sempre me interessou, porque ainda que se afirme que não existe racismo no Brasil, o fato é que ao entrarmos numa escola particular raramente encontraremos alunos negros. E isso não é porque no Sul existam poucos negros: basta entrar numa escola como o Julinho que veremos onde eles estão".


Spalding escreveu também "As cinco pontas de uma estrela", aos 16 anos. Depois veio 'Vencer em Ilhas Tortas'. Em 2007 lançou 'Crianças do Asfalto', pela editora paulista Casa do Psicólogo e dia 11 de novembro recebeu o Prêmio AGES Livro do Ano, como melhor livro na categoria Não-ficção.Parabéns Marcelo!

MÁRIO PIRATA



O cara de brincar
diz que é brincadeiro
traz uma maletinha encantada,
ao abrir os versos pulam
postais, livrinhos, caixinhas
pura magia no ar
marcados por um pandeiro.

Soninha Porto


Esta figura carismática é poeta, artesão e intitula-se brincadeiro. Nasceu em Porto Alegre e realiza uma verdadeira maratona em escolas, feiras, congressos, praças e eventos diversos, desenvolvendo palestras, oficinas e apresentações. Já publicou livros de poesia: "um pé-de-vento de nome huá", "calcinha rosa na cadeira de balanço", "cambalhota", "as minhocas também amam e mamam", "os dois amigos", "bicho-poesia", "o fazedor de balões", "a magia do brincadeiro", "a volta do bicho-poesia" e "ilha" do poeta".





Recentemente lançou junto com a Editora SVB Versos para namorar, que está sendo um dos maiores sucessos de venda da 54ª Feira do Livro, em Porto Alegre. é um livro para público infantil ao preço de R$1,00. E diz "é mais barato que um picolé"! Mário Pirata reabre a discussão sobre o preço dos livros, e a política de distribuição e divulgação. Defende a oportunidade que permite a qualquer criança levar para casa um autógrafo do autor e um livro embaixo do braço.

imagem Rogério Tosca


Mais do que nunca a poesia.

Mário vai estar com Deborah Finocchiaro, na 22ª Feira do Livro de Gravataí, falando poemas de Francisco Farro, Mário Pirata, Pablo Neruda, Camões, Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Jacques Prevért, Shakespeare, Maiakovski, Luiz Fernando Veríssimo, Olavo Bilac, Cecília Meirelles, Mário Quintana e Julio Cortazar.
Quando: 28 de novembro, 15h.
Onde: Parcão de Gravataí - Gravataí/RS.

ALEXANDRE BRITO


O poeta, músico e letrista, está na finalíssima do Prêmio Açorianos, com seu livro Circo Mágico, da Editora Projeto, ilustrado por Eduardo Vieira da Cunha. A 15ª Edição do Prêmio Açorianos de Literatura é promovido pela Secretaria Municipal da Cultura e concorrem autores em oito categorias literárias. O resultado será divulgado na Noite do Livro marcada para o dia 15 de dezembro. Estamos torcendo por ti Alexandre!


É de Porto Alegre, iniciou sua vida poética nos anos 80, em BH. Integra a banda os poETs com os poetas/músicos Ronald Augusto e Ricardo Silvestrin, desenvolvendo trabalho de letrista e compositor. A Banda já lançou o Cd Música legal com letra bacana.
É produtor cultural, editor da ameop — ame o poema editora. Lançou em 1986 Visagens pela Editora Arte Pau Brasil e publicou poemas em diversas antologias e revistas especializadas. Foi o idealizador da Coleção de poesia Petit-Poa (em sua primeira fase; formato das caixinhas) para a Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, quando foi publicado Zeros. Produziu eventos como o 2° Poetar (1991/SMC-POA) e a 1ª Semana da Fotografia de Porto Alegre (1993/SMC-POA).

RICARDO SILVESTRIN



O autor estará lançando, dia 14 de novembro, às 17h30, na Praça de autógrafos da 54ª Feira do Livro de Porto Alegre, a publicação infanto-juvenil TRANSPOEMAS. São 40 páginas e 22 ilustrações de Apoenan Fousek, convidando o leitor a viagens nos meios de transportes convencionais e os nem tanto, como disco voador, carrinho de supermercado, prancha de surfe e tapete voador.




É de Porto Alegre este premiado escritor, e pode ser considerado multi-mídia, é poeta, contista, romancista, além disso compõe músicas e faz parte da banda os poETs. É colunista do jornal Zero Hora e apresenta Transmissão de Pensamento, na rádio Ipanema fm. Recebeu o cobiçado Prêmio Açorianos com as obras O menos vendido (Nankin, 2007) e Palavra mágica (Massao Ohno, 1995), para adultos, e Pequenas observações sobre a vida em outros planetas (Salamandra, 2004), para as crianças. Considera-se “paulistucho”, por ser filho de gaúcha e de um paulista. Ou “gaulista”.

IEDA CUNHA CAVALHEIRO


Escritora gaúcha, Presidente da Casa do Poeta Rio-Grandense - CAPORI, lançou na 54ª Feira do Livro, de Porto Alegre e na 36ª Feira de Pelotas, o seu infantil O peixinho e a menina triste, nos dias 08 e 11 de novembro respectivamente. Teve apoio da Casa Brasileira de Cultura e da Universade Federal de Pelotas.

(capa do livro infantil, para colorir)

QUEM É IEDA?

Ieda Cunha cavalheiro, gaúcha de São Gabriel, três filhos: Emmanuel, Leonardo e Isabelle. Bacharel em Letras pela UFSM/1972 e em Direito, pelo Instituto Ritter dos Reis de Canoas, RS, foi professora primária, em são Gabriel e de Língua Portuguesa em Bagé, Assessorou Delegacias de Ensino e da SEC em Porto Alegre e atua como Advogada em Porto Alegre e Grande Porto Alegre, desde 1988, como profissional liberal, exercendo a profissão, embora aposentada, desde 31 de março de 2005. Escreveu para vários jornais-informativos do Estado: O Imparcial, jornal de sua cidade, em 1972-73, artigos sobre a Reforma do Ensino; Jornal: A Razão de Santa Maria, 1988 - Poesia; Jornal da Escola Adventista de Porto Alegre: artigos sobre Direito da Criança e do Adolescente; Revista do Lions - Club Porto Alegre - Redenção - vários textos em poesia e prosa. Acadêmica da Academia de Artes Ciências e Letras Castro Alves e da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Decana do Clube dos Escritores de Piracicaba, da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, daAssociação de Arte e Literatura de Porto Alegre-RS e da Confraria do Carreteiro “Cinco Estrelas” Participou de diversas coletâneas: Gente da Casa: 38 Anos– 39, 40, 41, 42 Anos da CAPORI 2001 a 2006, - Casa do Poeta Rio– Grandense; Organizou como Presidente da CAPORI/RS, no ano de 2007 e 2008 as Antologias tradicionais da Casa do Poeta, 43 anos e 44 anos, a última recentemnte lançada no aniversário da Entidade, no cafézinho poético-cultural, que acontece no B ar do Lupe, sempre nas primeiras terças -feiras do mês.Programa Tribuna Popular - Pampa AM – CAPORI (2ª quarta-feira do mês) No ano de 2006, criou e editou o Primeiro Informativo da Casa do Poeta Rio - Grandense, “Operário das Letras”, Em junho de 2006 assumiu a Presidência da Associação de Arte e Literatura da Zona Norte de Porto Alegre - AALZON-POA-RS Em 30 de outubro de 2006, Gestão 2006/2008 e a Presidência da Casa do Poeta Rio-Grandense em 24/07/2007 – Gestão 2007-2008. Em 24 de julho de 2008 foi reeleita,

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

OPINIÃO: A POESIA NO ORKUT

Bem pessoal, depois da síntese que me propus fazer, sem nenhuma didática, é claro, até porque o propósito é que fosse alguma coisa bem informal, vou tentar fazer uma avaliação parcial da poesia que está acontecendo, no momento, inclusive no ORKUT, ou principalmente no ORKUT, porque este é um veículo de comunicação relativamente novo e de alcance imensurável.

Como todas as artes, a literatura, produção humana que é, sofre influências de todo lado e de todas as demais manifestações artístico-culturais. O contexto sócio-político-econômico também influencia as artes, em geral, e o advento das inovações tecnológicas da mesma forma não fugirá a essa regra.

Com isso, hoje temos uma gama de pessoas aproveitando os espaços disponíveis e fazendo literatura, principalmente poesia. O que dizer de tudo isso? Que é algo maravilhoso, até então nunca colocado à disposição de escritores, poetas e artistas em geral e, com certeza, vai impulsionar as letras, as artes e a vida de muita gente, haja vista os eventos que já estão ocorrendo em diversas comunidades, sites, blogs e outros espaços que estão surgindo com muita rapidez, cujos resultados são surpreendentes.

Agora, a pergunta que muita gente se faz é a seguinte: pela facilidade de veiculação, pela falta de critério e seleção e pela rapidez proporcionada pela internet, a produção literária virtual tem qualidade? Acho que ainda é cedo pra se fazer uma avaliação segura sobre um material tão vasto, mas acredito realmente que este é um processo que não tem mais volta. As pessoas estão escrevendo, gostando de escrever, descobrindo talentos e coisas importantes estão acontecendo.

É claro que em tudo que é feito em grande escala, é preciso separar o joio do trigo. Assim como há boas produções surgindo, excelentes escritores e poetas se revelando, também há aqueles que precisam melhorar muito, depurar o seu trabalho, encontrar seu estilo, lapidar seu potencial, ler bastante e aprimora-se, se quiser conquistar seu reconhecimento. Não é porque estamos na era da tecnologia, do haicai e do poetrix, ou seja, da linguagem econômica e quase telegráfica, que não precisamos ler os clássicos: De Sófocles a Machado de Assis, passando por Balzac, Saramago, Pessoa, Drummond e tantos outros.

Por enquanto, o poeta do ORKUT ainda está sendo visto como aquele que só sabe falar de amor não correspondido, solidão, dor de cotovelo e outros temas prosaicos e emocionais, em síntese :mais inspiração pura que técnica. Ao não revisarem seus textos antes da postagem, tem resultado em trabalhos bons, mas eivados de erros gramaticais,(o que realmente é imperdoável). Como eu já disse antes, não se pode generalizar, há muita gente boa, fazendo trabalhos dignos de destaque, com criatividade e valor. Ainda existe uma certa discriminação, o que NÂO vai continuar por muito tempo, eu acredito. E creio mais: o ORKUT é o veículo do momento e vai revelar muita gente boa, sim, para a felicidade geral dos apaixonados por esta arte maravilhosa que é a literatura.

Basilina Pereira
http://poesiasbasilina.blogspot.com

(mineira, de Ituiutaba, reside em Brasília há mais de 30 anos, professora, advogada, crítica literária, poeta e escritora. Está na 1ª Antologia da Poemas à Flor da Pele, participa de grupos culturais e é representante da Comunidade em Brasília. Afirma, que embora tenha trabalhado com literatura por muitos anos, só recentemente começou a escrever. Já possui livros prontos, um de contos e outros de poesia,
ainda não publicados. Terminou recentemente "Quase Poesia, Janelas e Arabescos", e já está mantendo contatos com editoras para fazer seu lançamento no aniversário da Poemas em abril de 2009, será uma ansiosa espera, e avisa: está começando o 4º livro).





Marco Araujo


Mulheres-amadas, não me interpretem mal, mas estes caras fizeram a diferença na minha vida.
Graças a eles entrei no mundo da poesia de cabeça. E deixo aqui minha homenagem pelas belas trajetórias e meus aplausos pelas lindas obras que realizam.

Este grande moço, amigo, sempre com uma palavra legal, sincero, dedicado ao que faz, é poeta, músico, intérprete e está na batalha sempre. Tive o privilégio de contar com sua parceria nos dois anos da comunidade Poemas à Flor da Pele, o que fez toda a diferença. Lançou recentemente o CD Mar de dentro. Obrigada amigo!

O tempo não parou no ponto
Marco Araujo

A mata cobriu a trilha
A alma deixou seu corpo
O rio secou na curva
O guarda abandonou seu posto

O verde virou vermelho
O sonho perdeu seu gosto
O dia anoiteceu mais cedo
Novembro chegou agosto

O pranto calou o canto
O vento interrompeu seu vôo
O louco ganhou as ruas
O rato roeu o roto

A queda quebrou o copo
A pedra rolou caminho
O santo negou o padre
A língua queimou o afoito

O galo fugiu da briga
O velho calou o moço
A vida morreu na praia
O tempo parou no ponto

Este é o site do artista:
http://www.marcoaraujo.com/

Ademir Bacca

Este cara me deu a maior alegria de meus dias, realizar a primeira Antologia da Comunidade Poemas à Flor da Pele. É jornalista, poeta, artista digital, contista e coordena os congressos de poesia de Bento Gonçalves. É um privilégio ser sua amiga.


se eu pudesse moldar as manhãs
com minhas mãos de poeta
talvez elas tivessem as mesmas cores
mas certamente seriam diferentes

tiraria delas a pressa do ponteiro das horas
e também o cinza dos olhos
daqueles que enfrentam as ruas

se eu pudesse amassar com minhas mãos
o barro das manhãs
eu o moldaria ao meu jeito

certamente elas teriam os mesmos rostos,
seríamos os mesmos a dividir o mesmo espaço
mas elas seriam diferentes

desarmaria espíritos
eliminaria labirintos
substituiria muros por pontes
e ensinaria a celebrar a vida
mesmo que ela amanheça todos os dias
pendurada por um mísero fio

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O grito por dentro das palavras”


Veja o blog de Ademir Bacca
http://ademirbacca.blogspot.com/



Cairo de Assis Trindade


É um privilégio conhecer este grande poeta da atualidade e ver suas apresentações, são prazerosas. Participei de sua oficina virtual e me deu belos toques em meus poemas. Obrigada amigo!



Celebração

Cairo Trindade


hoje é sempre melhor
do que ontem,
porque hoje é hoje,
esta coisa mágica,
única, surpreendente,
que se acaba de repente.

hoje é melhor
do que amanhã,
porque hoje é hoje
e estamos vivos
e plenos de tanto,
até não se sabe
como e quando.

hoje é sempre
melhor que sempre,
porque o hoje foge,
amanhã é um mistério
e ontem é só memória,
história, já era.

hoje é sempre
o maior presente,
porque a vida é agora,
esta hora de som
e luz e festa,
e este instante é tudo
o que nos resta.


Veja a página com poemas e o currículo de Cairo de Assis Trindade:

http://www.almadepoeta.com/cairodeassistrindade.htm

Joaquim Moncks

Amigo-poeta, Coordenador da Poebras Nacional e Presidente do Conselho Deliberativo da CAPORI - Casa do Poeta Rio-Grandense, reside em Porto Alegre e Passo de Torres, divisa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. É um parceiro de longa data, de eventos da Poemas à Flor da Pele e da Casa, é Mestre no que faz. Obrigada amigo!

Palavra, esse mistério!

Joaquim Moncks
(para Luciane Bilhava Moncks, de Cascavel/PR)

Experiência permite confidências:
só quem é especial
apreende o conteúdo.
E o divulga no tal carinho
com que foi criado.

Beijo estalando nas bochechas
como uma bola de mascar.
Antes que ela exploda
no vermelhão da face.

A escrita cumpre sua sina.
Palavra vira estrela.

– Do livro, inédito, BULA DE REMÉDIO, 2004 / 2006.

Veja o currículo deste nobre autor, que dia 08 de novembro às 19h30min,
estará lançando seu livro - trabalhado desde 2006
- CONFESSIONÁRIO, diálogos entre prosa e poesia.
Na banca 97, da Editora Alcance, na 54ª Feira do Livro, de Porto Alegre.

http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=1392

Luiz Fernando Prôa




Amigo de fé, meu irmão, camarada, fizemos poemas juntos, oficinou vários poemas meus, nos encontramos por duas vezes no Congresso de Poesia de Bento Gonçalves, grande poeta, ativista cultural dos bons e mantenedor do site alma de poeta. Obrigada amigo.

Faxina
Luiz F. Prôa

não gosto do poeta
que lava mágoas no poema
sem chance
lágrimas e mágoas
só se lavam no tanque
não gosto do poeta
que se excede nas rimas
isso é vício
todo excesso
entorta o poeta e o equilíbrio
não gosto do poeta
que é poeta-preguiça
esse eu odeio
escreve pro ego
não lapida
não gosto de poeta
que tem mania de falar
da poesia dos outros
esse não sou eu
isso é encosto


Veja o currículo deste grande autor:
http://www.almadepoeta.com/luizproa.htm

Rossyr Berny


Amigo, de longa data, jornalista, poeta, nossa amizade nasceu dentro da Casa do Poeta Rio-Grandense, é dono de uma das Editoras mais importantes de Porto Alegre, a Editora Alcance, que ganhou recentemente o prêmio Jabuti de literatura 2008. Editou a maior parte das antologias que publiquei meus poemas. E em 2007 convidou-me para ser a mestre-de –cerimônias do Projeto 24 horas de poesia, no Memorial do Rio Grande do Sul. Obrigada amigo!


Porto improvável
Rossyr Berny

Perdido de ti
sou metade de mim

Em meio a oceanos revoltos
minúsculo barco
o melhor porto que busco
é o milagre do teu abraço

Isso se deixares rastros
aos meus digitais, faro, olhos
Te buscam enlouquecidos

Isso se deixares indícios
nos faróis céus cios
madrugadas indormidas

Isso se nos ventos de tua passagem
deixares resquícios na paisagem

Talvez te denuncie algum flagrante
de meu nome em tua lembrança
E a saudade te surpreenda em pranto

Perdido de ti
sou pedaço de mim

Serei inteiro contigo inteira
quando teu peito reabrir-se ao meu
no porto fantasma do teu retomo

Aqui seu currículo:
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=6636
veja o site de sua Editora:
http://www.editoraalcance.com.br/




Selmo Vasconcellos



O administrador, jornalista e escritor que mora em Porto Velho/RO publica poetas e escritores no Rebate e tive a grata honra de estar numa edição do Jornal Alto Madeira, que guardo com todo o carinho. Obrigada amigo!


Rosângela

Rosa, flor
Nascida entre espinhos
Arranhando pureza.

Ângela, anjos
Belos, bons
Caminhos limpos,
Macios, vaporosos.

Rosângela
A beleza da rosa
A bondade dos anjos.


Rosangèle

Rose, fleur
Née entre des épines
E gratignant la pureté.

Angèle, anges
Beaux, bons
Chemins sans nuages
Sans aspérités, transparents.

Rosangèle
La beauté de la rose
La bonté des anges.

Traduzida para o francês por Jean Paul Mestas
Um poeta da humanidade, Vichy, France, 2002

Veja o blog deste grande amigo, poeta e ativista cultural.
http://selmovasconcellos-curriculoliterario.blogspot.com/2007/

Tonho França


Define-se Poeta e livreiro. Quando entrei no orkut acontecia numa comunidade o festival de poemetos e este belo poeta, me instigava a criar, muitos dos poemas que tenho por aí, hoje em dia, nasceram da insistência de Tonho para que eu participasse. É de Guaratinguetá/SP e tem dois livros publicados: Sinos de Outono e Blues à Tarde. Obrigada amigo!


Noturno
- Tonho França -

A cigarra canta entre a paisagem,
Aviso que a primavera chegará sem chuvas

Na próxima mudança de lua, quem sabe?

Em tempos mais áridos, a solidão envelhece um pouco o olhar
Deixa ao ar uma moldura amendoada...
Há naturalmente um silêncio um pouco mais profundo ...

Percebo que minhas roseiras atrasam os botões
O pequeno canteiro de ervas precisa de cuidados
Alguns pássaros atrasaram a migração

Na água que corre mais fina, ao fundo do roseiral
O poente avermelhado, anuncia noite fria e estrelada
E que amanhã será um longo dia de sol
Um longo dia de sol...

No conforto da antiga cadeira em madeira maciça, observo a noite
vejo a dança das nuvens, os desenhos que formam no céu,
o chá de capim-santo adocicado levemente com mel
acendo um cigarro, lembro em silêncio antigos poemas
alguns em voz baixa, deixo fluir várias vezes pela amplidão
como se os oferecesse ao arrebol...

há muito percebi em mim, como poeta, o alvorecer da quietude
um outro prisma da poesia, um aspecto mais maduro da sensibilidade
por isso o hábito de repetir poemas antigos
enquanto sirvo-me de outra xícara, e protejo-me com o cachecol

a cigarra ainda canta entre as paisagens,
amanhã será um longo dia de sol
um longo dia de sol...



Veja o blog deste grande autor:
http://www.tonhofranca.blogspot.com/

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A Estrela do Congresso de Poesia de Bento Gonçalves: Ademir Bacca


Mosaico

com a paciência
de um velho tecelão
preparo meu manto de lembranças
para quando o frio dos anos
anunciar seu inverno mais rigoroso

em lentos goles de vinho
faço desfilar na passarela
dos meus olhos
os sonhos que trago
dentro de mim

e assim,
noite após noite de insônia
monto o mosaico de todo o tempo
que me escapuliu
por entre os dedos.

Ademir Antônio Bacca
Poeta, contista, folclorista e jornalista,

Presidente do Proyecto Cultural Sur,
coordenador do XVI Congresso de Poesia.

Bento Gonçalves – RS - Brasil
http://www.germinaliteratura.com.br/ademir_antonio_bacca.htm

A estrela do amor: Andrea Lucia Guarçoni


A Essência do Amor...

Mal posso aguardar,
O momento de me entregar,
De estar, novamente, ao teu lado,
Desfrutando teu sabor,
Pra te sorver e te tragar,
Apreciar teu “bouquet” requintado,
Encantar-me com teus beijos apurados,
Passear pelo teu corpo inteiro,
Entorpecer-me do teu pecado...
E pra teu doce deleite,
Fazer-me de teu banquete,
Ofertando-te meus beijos adocicados,
Oferecendo-te meu sexo nacarado,
A embriagar-te da tua bebida preferida,
Numa profusão de líquidos fermentados,
Fomentados nos tonéis dos divertimentos,
Amadurecidos nos barris dos sentimentos,
Cultivados nos vinhedos do fervor,
Cujo tempo só revigora e aprimora,
Essa divina essência que é o nosso Amor!


Andrea Lucia
Poeta, engenheira civil,
mestre em Engenharia de Produção e Especialização
em Engenharia de Segurança do Trabalho.
Atualmente, trabalha com resíduos hospitalares.
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/andrealucia


A estrela sabe: Basilina Pereira


Quisera

Quisera te encontrar na primavera
num crepúsculo casual feito quimera
e seguir de mãos dadas pelos campos,
evocando perto e longe os pirilampos.

Sorver as sensações doces e quentes
que percorrem a alma, corpo e mente,
quando a paixão explode em tarde calma
colher o fruto que nasceu da palma.

Quisera te seguir nas tardes tortas,
abrir janelas e fechar as portas,
quando o verão acende os poros, confiante,
e ser tua gueixa, concubina, eterna amante.

Secar tuas lágrimas com a luz do luar,
ser o teu fogo até o inverno passar,
tocar a harpa, se te sentir triste
e descobrir que o outono não existe.

Quisera viver contigo toda a vida
com a simplicidade complicada e esquecida
dos amantes que valsaram à luz do dia
sobre as rimas e o encanto dapoesia.

Basilina Pereira
Poeta, professora, crítica literária,
Revisora de textos.
Brasília/DF
http://poesiasbasilina.blogspot.com

A estrelas das crianças: Bilá Bernardes



Ternura

Ah, ternura!
passeia pelo corpo
pousa no brilho do olhar
aumenta a leveza do gesto
amacia o timbre da voz

Ah, ternura!
quem dera fosses
presença constante
na vida de tantos
desiludidos!

Bilá Bernardes

Poeta e psicopedagoga,

Belo Horizonte/MG
http://poesiasmariangelica.blogspot.com

(poema do livro “Poemas à flor da Idade)

A estrela-sorriso: Carmen Vervloet



Fios de Vida

Acendo a casa perene do sonho
Com o beijo do sol no dia...
E atentamente me ponho
A escutar uma melodiosa sinfonia!

Coral de pardais regidos pelo amanhecer!
Meu amor esculpido em alabastro...
E eu ciente do que fazer
Desenho sonhos no ar, sem deixar rastro!

Fujo da veia mercenária
Onde corre a perfídia da inveja
Fria... Astuta... Sanguinária...
Guardo em segredo, os meus medos.

Meu amor, sentimento profundo,
Mistério não revelado...
Escondo seu beijo num pote de mel cerrado.
Não quero ver meu sonho esfacelado!

O amor que por você derramo
Como gotas de orvalho
Que molham a madrugada
Ao mundo não proclamo!...

Sussurro ao seu ouvido
Sou sua, querido...
Até meu sol se por...
No tempo que meu corpo costura
Com fios de vida!...

Carmen Vervolet
Poeta e ativista cultural,

Vitória/ES
blog: www.poesianocanto.blogspot.com

A estrela suave: Chico Araujo


Esperança


A porta trancada revela:

Alguém fugiu às pressas

Ou trancou-se a chaves...

O rumo dos acontecimentos foi invertido...

Agora já há outro mundo

E muitos muros foram destruídos

E muitos muros foram erguidos

Em outros lugares

Cercando povos

Matando o novo

Roubando o brilho das cores...

O Norte já não é caminho

Os atalhos mostram o confuso

Caminhar de homens sem sonhos,

Sem vida, sem esperança...

Há grades em tudo

Até naquilo em que

Se não a vê...

Mas o teu sorriso me mostra

O além-mar, outro navegar, porto-seguro?

E te busco

E me liberto do cárcere

Quando gozo lágrimas por nós!

E mesmo que não se faça o eterno

- o Poeta já nos alertou das chamas –

Que se incendeie o calor

De tudo o que arde como desejo...


Chico Araújo

Poeta e professor,pesquisador sobre linguagens e literatura,

organizador de Eventos lítero-musicais.

Fortaleza/CE

http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=17959848223779147628